sábado, 21 de dezembro de 2013

Série - Meus Contos


   Como todas as manhãs uma multidão de pessoas se dirige para estação Capão Redondo situado num bairro da periferia de São Paulo, precisamente na zona sul. Um bairro famoso também pelas músicas dos Racionais Mcs.

  Ele esta no meio da multidão... Seus pensamentos estão longínquos, o ar de cansado. Todos os dias trabalhando 12 horas por dia, fora o trânsito e as loucuras da cidade de São Paulo.

   “... Droga, sempre lotado, pra completar, esta merda de trem esta com problemas, lerdo e sempre atrasado, ainda estou aqui aguardando neste monte de gente, e nada...”.

  Quanto mais Ele se aprofunda em seus pensamentos, mais a estação vai lotando de pessoas com pressa, suadas e mal educadas em sua opinião. “... Aquele balofo do meu chefe vai surtar de novo, gritar como sempre, me lavar com cuspes enquanto vocifera em cima de mim. Se eu pudesse dava um único tiro na merda da cabeça dele...” Enquanto ele pensava a voz de serviço anunciava.

   - Senhores passageiros estamos com problemas técnicos, dentro de alguns minutos o trem embarcara na estação, agradecemos a gentileza e tenha um bom dia.

   - Novidades... Os mesmos problemas de sempre e ainda deseja um bom dia.

   Minutos se passara vagarosamente e ao longe se avista o trem vindo, numa velocidade não habitual, muito rápido, nem parece que vai parar.

   E é o que acontece, ele passa direto com o freio acionado deixando faísca na linha férrea, ultrapassando o limite de parar e vem a descarrilar capotando logo em seguida. Muitos barulhos de vidro se quebrando e o aço sendo retorcido.

    Impressionante como a curiosidade humana nesta hora é mais forte que a sã consciência, todos se amontoam e correm desesperadamente em direção ao acidente. Muita fumaça começa a subir de alguns vagões. Ele pensa. “... Que merda é esta...”.

   E juntamente a fumaça um mau cheiro de carne pútrefa, misturada com sangue fresco, o verdadeiro cheiro da morte. E se ouve muitos gemidos e grunhidos com estralar de ossos.

  De repente a gritaria começa, o som de terror com a chegada da Morte, como num formigueiro mexido, pelas janelas quebradas dos vagões, muitos seres decepados, estripados. Com a carne podre começa a vasta comilança humana, com seus dentes pretos e podres mordem e arrancam pedaços de carnes e tudo que seja humano pela frente, um verdadeiro mar de sangue e chacina canibal.


   Nos momentos de dor, desespero e sofrimento o que levou Ele também em sua curiosidade juntamente com a multidão, sua carne é arranhada, arrancada, como se um açougueiro estivesse desossando um boi, muitas mordidas e uma fatal que faz esvair todo o sangue de sua jugular, já sem força Ele desvai em seus pensamentos. “... Não deveria ter levantado hoje, definitivamente não é um dia para se viver".

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